Chamada de Auditoria Cidadã, a ação que percorreu toda a estrutura cicloviária da capital foi coordenada pela equipe da vereadora Renata Falzoni, trazendo análises inéditas sobre três pontos-chave: largura das estruturas, interseções e a adequação dos semáforos para quem pedala.
Foram seis meses de trabalho intenso, concluídos esta semana com a divulgação de um relatório aberto na web (link abaixo), com as análises e mapas da cidade. O trabalho foi um dos principais projetos do mandato da vereadora Renata Falzoni no primeiro semestre deste ano. Ele contou com a participação de cerca de 100 voluntários, que se apresentaram para participar do mapeamento completo das ciclovias da cidade. Foram avaliados os 735,7 km da malha cicloviária, envolvendo não apenas essa turma, mas também a equipe do próprio gabinete.
A avaliação já havia sido realizada duas vezes nos anos de 2018 e 2022, pela Ciclocidade. Está é a primeira auditoria conduzida pela equipe de um parlamentar e inclui aspectos inéditos de análise e resultado. A vereadora Renata Falzoni, cicloativista há décadas, comemora a possibilidade de ter realizado esta ação de forma ampla e reforça a importância do relatório para uma contrução de projeto de melhoria junto aos órgãos da prefeitura, fortalecendo a política pública voltada à mobilidade ativa. Sua equipe já apresentou os resultados à SMT e CET, que deve aproveitar o material para as ações diretas na rede.
Foram avaliados cinco aspectos: condições da sinalização horizontal (pintura e tachões), largura, pavimento, situação das interseções (cruzamentos e locais em que há uma faixa de pedestres chegando na ciclovia/ciclofaixa) e dos semáforos. Flávio Soares, coordenador do Núcleo de Dados do gabinete da vereadora Renata Falzoni, coordenou a Auditoria Cidadã pela terceira vez. Ele aponta que já haviam indícios de que, em termos de manutenção, a malha cicloviária estaria tão ruim, mas que em planejamento ela teria muito a ser melhorado.
Ainda que a percepção de quem pedala muitas vezes é de que apenas as ciclofaixas e ciclovias instaladas em avenidas e corredores estejam em melhores condições, de uma forma geral as falhas encontradas em outros locais demandam simples ações de adequação. O coordenador da Auditoria comenta que esta percepção pode ser dar por questões de manutenção que se tornam mais ‘tensas’ quando a largura da ciclofaixa é menor que a recomendada e, portanto, desviar de uma falha no solo, por exemplo, é mais difícil que em uma faixa com largura adequada.
Com relação à sinalização das interseções, sejam elas cruzamentos ou locais em que o caminho de outro modal se encontre com uma ciclovia (como uma faixa de pedestres no meio de uma quadra, por exemplo), os auditores cidadãos encontraram um panorama positivo: 78% estão em estado bom ou razoável, ainda que 22% exijam atenção imediata, principalmente nas periferias. Semáforos também foram avaliados: apenas 51% deles são considerados plenamente seguros para a travessia de ciclistas. Os demais apresentam falhas que vão da falta de foco para quem pedala à ausência de tempo suficiente para a travessia, nos locais em que há conversão com veículos.
Em torno de 17% da rede tem atualmente largura que compromete a segurança dos ciclistas e demanda uma readequação. Uma boa conclusão do estudo é que 84% da rede está em condição boa ou razoável, com relação à sinalização horizontal, que são os tachões, linhas e todas as marcas que orientam quem pedala. Destes, 38% passaram no crivo da Auditoria Cidadã por estarem em locais de condição “excepcional” — tolerados por limitações de espaço, aplicada em casos pontuais e requer justificativa para ser tão estreita.
O trabalho de campo foi feito por cerca de 70 voluntários ciclistas, que receberam treinamento específico para a atividade. Eles produziram mais de 9 mil fotos geolocalizadas e dados de medição que ajudaram na análise. Além do relatório, foram produzidos mapas precisos e completos da infraestrutura cicloviária. Com o registro de câmeras 360º pela equipe do gabinete da vereadora Renata Falzoni, foi produzido uma espécie de Google Street View das ciclovias de São Paulo, que está online e aberto para consulta pública, com mais de 49 mil fotos geolocalizadas.
Mais do que mapear problemas, a Auditoria Cidadã busca gerar soluções. Os resultados já foram encaminhados à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e à Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT), com o objetivo de subsidiar políticas públicas que fortaleçam a mobilidade ativa e incentivem a transição para modos de transporte mais sustentáveis.
Para ler o relatório completo e visualizar os mapas, acesse o site falzoni.com.br/auditoria-cidada
Veja um resumo dos números dessa auditoria:
Duração:
6 meses de trabalho (jan a jun/2025)
Voluntários:
164 inscritos
96 participaram da formação online
70 foram a campo
Distância pedalada pela equipe do gabinete:
+1.500 km
Extensão oficial da rede cicloviária (CET, 2025):
735,7 km
Imagens:
+59 mil fotos geolocalizadas
Cruzamentos analisados:
6.320 no total
2.803 com semáforo
Sinalização horizontal (pintura e tachões):
82% em bom ou razoável estado
18% em estado precário
Cruzamentos:
78% em bom ou razoável estado
22% precisam de manutenção urgente
Semáforos para ciclistas:
51% seguros
49% oferecem riscos, dos quais 30% sem focos semafóricos voltados para quem pedala; 8% com tempos de travessia compartilhados com veículos que fazem conversões e 11% reúnem as duas falhas.
Largura das estruturas:
83% regulares
17% fora do padrão e com necessidade de adequação
Todos os produtos resultantes da Auditoria Cidadã 2025 são publicados de forma aberta, sob licenças de uso que estão em conformidade com a definição de cultura livre pela Open Knowledge Foundation: “o conhecimento é aberto se qualquer pessoa puder acessá-lo, usá-lo, modificá-lo e compartilhá-lo livremente — sujeito, no máximo, a medidas que preservem sua proveniência e abertura” (OKFN, s.d.; s.d.).
