Guia sobre convivência foi lançado no último sábado, dia 07 de março, durante a Regata Volta da Ilha das Cabras, no Guarujá e já está disponível no site da Confederação Brasileira de Vela
Quem acompanha o noticiário, ou especificamente notícias sobre o litoral brasileiro, deve ter percebido que estão mais frequentes os avistamentos de cetácios, seja próximo às praias, seja próximo a embarcações. Para garantir a segurança destes grandes animais marinhos, existem protocolos especiais obedecidos em todo o mundo, com adaptações pontuais em cada país ou região. A Confederação Brasileira de Vela, pensando nos esportistas, mas em especial os que tem a prática como lazer eventual, lançou um guia orientando o que fazer ao se deparar com baleias ou outros animais marinhos.
O conteúdo do “Guia Vela e Baleias no Litoral Paulista” inclui as normas brasileiras, além de orientações
da World Sailing/MMAG para a segurança de velejadores e o uso responsável do espaço marinho. O material escrito com linguagem acessível pode ser baixado ou consultado diretamente no site da Confederação Brasileira de Vela (CBVela). São orientações sobre distância, acionamento de motores, permanencia próximo aos animais, entre outros.
O Estado de São Paulo tem uma das maiores extensões litorâneas do país com 800 km, divididos em três grandes APAs. São quinze cidades, 149 ilhas, ilhotas e lajes, sendo as mais distantes a Ilha Vitória, que está a 38 km da costa, e a laje de Santos, a 40 km da costa.

A bióloga, pesquisadora e fundadora do VIVA, Mia Morete, explica que o Litoral Paulista concentra 32 espécies de cetáceos, entre elas a baleia-jubarte, a baleia-de-Bryde e a baleia-franca-austral — espécie ameaçada de extinção. “A região abriga diversas Unidades de Conservação, incluindo três Áreas de Proteção Ambiental Marinhas, as APAs Litoral Norte, Centro e Sul, e quem está no mar, no oceano compartilhado, pode contribuir efetivamente para a conservação da vida marinha ao simplesmente seguir as orientações baseadas na ciência e na pesquisa”, defende Mia.
Além de mirar em velejadores que usam os barcos para deslocamento ou lazer, o Guia também apresenta as boas práticas a serem adotadas por velejadores e organizadores de regatas ao encontrar animais marinhos no período de competições, especialmente na região de atuação do Gremar – Bertioga, Guarujá, Santos ou São Vicente. Ele agrega à legislação brasileira as diretrizes emitidas pela World Sailing sobre o tema, que são de ordem prática e direcionadas para velejadores e organizadores de regatas.
“Há uma conexão total entre as normas brasileiras e as diretrizes da World Sailing. A prioridade absoluta é manter o afastamento entre barcos e animais, para a segurança de todos”, resume a gerente de Sustentabilidade da CBVela, Sandra Di Croce Patricio. “O mar é a nossa raia, mas acima de tudo é um ecossistema vivo e compartilhado”, afirma Daniel Azevedo, Presidente da CBVela. “Este Guia tem foco na conservação da fauna marinha, mas também trata de uma questão de segurança operacional para quem veleja e organiza regatas no Litoral Paulista.”
O material compila as normas brasileiras editadas pelo IBAMA e ICMBio que apresentam regras e boas práticas em interação com cetáceos – Portarias IBAMA nºs. 117/1996 e 24/2002 e Manual de Boas Práticas em Interação com Cetáceos, publicado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio) em 2024.
Algumas das normas para todos os tipos de barcos, não motorizados e motorizados, são:
- não devem se aproximar (com o motor engatado, se for embarcarção a motor), menos de 100 metros dos animais;
- quando duas embarcações já estiverem se aproximando simultaneamente, não é recomendada a aproximação de uma terceira embarcação; uma terceira embarcação deve aguardar a uma distância de 300m das demais até que uma delas se afaste mais de 300m;
- não navegar a uma velocidade superior a cinco nós (aproximadamente 10 km/h) nem fazer mudanças bruscas de direção ou velocidade da embarcação na presença de cetáceos que estejam a menos de 300 metros da embarcação;
- não acompanhar cetáceos por mais de 30 minutos.
Com relação às competições, as diretrizes abrangem regatas costeiras e oceânicas. Em ambas, caso haja avistamento de animais da megafauna marinha antes do início da regata, a orientação é atrasar sua largada ou alterar seu percurso e a retomada da competição deve ser feita somente após 20 minutos do último avistamento.
Em regatas costeiras, caso sejam avistados animais durante a competição, a regra sugerida é interromper a prova para adotar medidas de prevenção de colisões e retomar a competição somente após 20 minutos do último avistamento. No caso das regatas oceânicas, a competição não precisa ser interrompida, porém medidas importantes devem ser adotadas, como ajuste de velocidade e trajetória, por exemplo, sempre com o intuito de manter o afastamento dos animais.
Acesse o guia completo em cbvela.com.br/Guia-Velas-e-Baleias-no-litoral-paulista
