Mudança de hábito é uma das providências tomadas por frequentadores de bares da cidade, mas medidas preventivas dos estabelecimentos podem garantir o lazer sem abalar o movimento
Até a tarde deste sábado, dia 04, a capital paulista já tinha 11 casos confirmados de intoxicação por metanol em bebidas, inclindo duas mortes. Os dados são da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. O governo também divulgou a apreensão de 6.900 garrafas suspeitas de adulteração, nos últimos seis dias. Ao longo do ano, foram 50 mil garrafas apreendidas. O caso das bebidas adulteradas repercute em todo o pais e, aqui na capital, vereadores acabam de protocolar projeto para ajudar a coibir esse crime.
O PL 1188/2025 de 03/10/2025, de autoria dos vereadores Renata Falzoni (PSB) e João Jorge (MDB) institui o Protocolo BEBIDA SEGURA, que estabelece medidas de prevenção, fiscalização e controle contra a comercialização de bebidas adulteradas ou falsificadas. O projeto ainda sugere a promoção de campanhas educativas para conscientizar a população e os gestores de estabelecimentos que comercializem bebidas, sobre os riscos do consumo destes produtos.
O Instituto de Defesa do Consumidor divulgou nota lamentando os casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas destiladas e se solidarizando com as vítimas e suas famílias. O Idec reforça ainda que a legislação brasileira protege consumidores em situações como esta e impõe responsabilidades claras tanto ao Estado quanto ao mercado. O texto prossegue informando que a responsabilidade recai sobre toda a cadeia: órgãos fiscalizadores, fabricantes, distribuidores, supermercados, bares e restaurantes.
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo se solidarizou com as vítimas das bebidas adulteradas e ressaltou que o problema de falsificação já vinha sendo debatido pela entidade. Estudo do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp (link), divulgado em abril de 2025, indicou que 36% das bebidas comercializadas no Brasil eram fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas. Segundo o estudo esse volume fica atrás apenas do mercado ilegal de tabaco, em volume de unidades. Um dado alarmente do estudo indica que uma em cada cinco garrafas de vodca vendidas no Brasil é falsificada.
O panorama pode se assustador mas, ao contrário do que ocorreu na pandemia de Covid, ficar em casa isolado não é a solução. Existem cuidados para que todos possam manter seus hábitos de ‘baladas’ e passeios. O mais óbvio de todos é evitar o álcool ou os destilados, o que limita bastante a opção de bebidas. Uma orientação que vale para todos os tipos de produtos é desconfiar dos drinks com valores abaixo do padrão do mercado e procurar apenas locais como bares e restaurantes reconhecidos.
Para os estabelecimentos, o Sindbebidas MG dá uma orientação que é preventivo para evitar futuras adulteações: descartar garrafas de forma correta, preferencialmente inutilizando a embalagem para evitar reutilização por falsificadores. Além disso, os já conhecidos cuidados como exigir nota fiscal, o que garante procedência e legalidade do produto e observar a integridade da embalagem, como lacres, rótulos e dados impressos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), emitiu uma nota de orientação diante do risco sanitário coletivo representado pela adulteração de bebidas alcoólicas com metanol. A nota técnica (leia aqui) indica cuidados para aquisição, recebimento e armazenamento das bebidas, entre outros, além, claro de indicar aos Estados brasileiros de tomarem providências rígidas na fiscalização destes produtos. O Procon-SP criou um link para denuncias e notificações (aqui) que pode ser acessado por todos e preenchido com autenticação da conta pessoal gov.br.
