Baleia Jubarte é solta de rede na Quarta-feira de Cinzas

em um bote inflável, ao um homem com uma vara encostada em uma baleia que tem parte de seu corpo à mostra na superfície
Equipe de desenredamento do Instituto Argonauta remove rede de baleia-jubarte debilitada em Ubatuba (divulgação)

Especialistas em ‘desenredamento’ do Instituto Argonauta salvaram uma baleia debilitada na costa de Ubatuba, retirando uma rede presa à sua boca e nadadeira

A operação realizada na manhã da quarta-feira de cinzas (18) pela equipe de desenredamento do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, seguiu protocolos específicos para grandes cetáceos. Foi retirado um emaranhado de rede com aproximadamente dois metros que estava preso a uma baleia-jubarte jovem no litoral sul de Ubatuba.

Foi decisiva para a definição da abordagem, a situação do animal que estava sendo monitorado pela equipe do Instituto Argonauta. Ele apresentava sinais evidentes de debilidade, como estar magro, com baixa reatividade e permanência prolongada em área costeira rasa. Já havia sido identificado que ele trazia algo preso à boca.

A equipe do instituto, fez a aproximação em um bote e confirmou que o emaranhado passava pela boca do animal e se estendia até a nadadeira peitoral esquerda. Os técnicos avaliaram como positivas as condições ambientais e de segurança para eles mesmos e considerando o risco à vida do animal fizeram a retirada da rede.

De acordo com Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, presidente do Instituto Argonauta e diretor-executivo do Aquário de Ubatuba, o desenredamento de grandes cetáceos é uma operação de alta complexidade, especialmente quando o animal já apresenta sinais de debilidade. “A intervenção só é realizada quando há viabilidade técnica e condições seguras. Neste caso, conseguimos atuar de forma precisa e rápida, eliminando um fator adicional de estresse que poderia agravar ainda mais o quadro”, reforça Gallo.

O Instituto Argonauta alerta que a aproximação de embarcações e pessoas a cetáceos é regulamentada por normas específicas da legislação ambiental brasileira. A aproximação excessiva, o cerco ao animal ou a entrada deliberada na água junto à baleia são condutas proibidas e representam risco tanto para o animal quanto para as pessoas, especialmente quando se trata de um indivíduo debilitado.

A operação foi conduzida por equipe técnica capacitada para atuação em desenredamento de grandes cetáceos, seguindo protocolos reconhecidos para esse tipo de ocorrência. O animal permanece sob monitoramento para acompanhamento da evolução de seu estado geral.

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, fundada em 1998 a partir de iniciativa do Aquário de Ubatuba e vinculada ao Projeto de Avistamento e Monitoramento de Animais Marinhos Argonauta (AMMA) com o objetivo de ampliar as ações de conservação marinha na região. 

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