Cansei de Ser Belo, comédia inédita de Emílio Boechat, estreia em São Paulo

quatro atores, sendo uma mulher, vestidos de preto, em um fundo preto, fazendo pose.
"Cansei se ser Belo" fala da busca pelo reconhecimento além da estética, também para os homens. (divulgação)

Espetáculo que explora com humor o lado ridículo da vaidade tem estreia prevista para o dia 03 de outubro, no Teatro YouTube que fica no Conjunto Nacional

A chamada ‘ditadura da beleza’ chega a seu ponto alto nesta jornada cômica criada por Emílio Boechat. A imagem que faz parte da busca incansável de muitas pessoas, é também o maior problema de um ator “bonito demais”. O autor cria uma versão masculina para aquela velha ideia machista de que a mulher bonita não deve ter tanta capacidade intelectual. O personagem Rodrigo Contreiras sente que sua aparência ofusca suas outras características e ele não é levado a sério. Cansei de Ser Belo, estreia dia 3 de outubro no Teatro YouTube, no Conjunto Nacional.

A trama acompanha a jornada de Rodrigo Contreiras (Fernando Pavão), o homem que todo brasileiro conhece, o galã absoluto das novelas, um rostinho que as marcas exploram para vender qualquer tipo de produto. Mas, por trás do sorriso de porcelana, ferve uma crise existencial: cansado de ser apenas um “corpo sarado com milhões de seguidores”, ele decide destruir sua imagem de perfeição para ser levado a sério pela crítica especializada e mergulha no teatro alternativo e experimental.

Boechat ressalta que não existe uma crítica ao teatro experimental em seu texto, mas “ às pessoas que buscam o reconhecimento a qualquer preço, que têm uma visão distorcida de quem são e tratam esse teatro experimental como algo menor, que dá trabalho pra quem ‘não é bonito o suficiente pra fazer televisão’”.

O ator Fernando Pavão acrescenta: “Acho que o texto acerta a mão em cheio ao espelhar esse Rodrigo, um ator que precisa desesperadamente de visibilidade e reconhecimento com o tempo em que vivemos hoje, em que muita gente busca isso via o mundo fantástico das redes sociais. Uma comédia deliciosa onde o universo dos atores e seus exageros é primorosamente retratado”.

Para a atriz Erica Montanheiro, o humor da peça surge em boa parte do flerte com o absurdo. “O texto cria situações limítrofes nas quais, dificilmente, alguém iria se colocar. Essas situações criam constrangimento e, ao mesmo tempo, um olhar debochado sobre o ‘ser artista’. E é, através desse deboche, que as fragilidades do fazer artístico são expostas. Em um país como o Brasil – que não valoriza os trabalhadores da cultura – cada vez mais os próprios artistas são responsáveis por criar situações para vender sua imagem”, diz.

O diretor Kleber Montanheiro comenta que a simplicidade da cenografia e figurinos, como parte importante, completamentar à ideia do texto. “Queremos que a cenografia seja muito simples, mas muito mutante, que tenha elementos que se transformam. Então, eles se transformam numa sala, num escritório, num camarim, quase como um grande contêiner que vai abrindo e dando origem a diferentes espaços físicos. E isso remete um pouco a essa velocidade das redes sociais, quase como uma tela de celular”, comenta.

Já a encenação, de acordo com o diretor Kleber Montanheiro, tem como ponto de partida essa “ideia do jogo cênico da comédia, que é muito característico do Emílio, e caminhar por um lugar um pouco mais surrealista, no sentido do exagero, de criar um espelhamento da sociedade através dessa amplitude”.

Cansei de Ser Belo
Temporada: 3 de outubro a 22 de novembro de 2026
Sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro YouTube, no Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073, esquina com a Rua Augusta
Ingressos: R$120,00 (inteira) e R$60,00 (meia-entrada)
Vendas online: eventim.com.br/cansei-de-ser-belo-teatro
Classificação: livre
Duração: 70 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Ficha Técnica
Texto: Emilio Boechat
Direção, cenário e figurino: Kleber Montanheiro
Elenco: Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes
Direção de Produção: Marilia Toledo e Emilio Boechat