Última Apresentação do Coro da Capela Sistina em São Paulo

integrantes do coro e o maestro brasileiro posam para foto na Capela Sistina
Foto: Divulgação / Coro Cappella Musicale Pontificia "Sistina"

Turnê brasileira do Coro da Capela Sistina será encerrada com uma apresentação na Sala São Paulo, na próxima terça, dia 14 de julho

O Coro da Capela Sistina, Cappella Musicale Pontificia “Sistina”, é a instituição de canto coral mais antiga do mundo e o responsável pela música em celebrações litúrgicas com a presença do Papa. Desde 2020, seu maestro é brasileiro: o Monsenhor Marcos Pavan é o primeiro não-italiano a ocupar a função na história. Pela primeira vez o grupo, criado há mais de 600 anos, se apresenta na América Latina e no Hemisfério Sul. A turnê se iniciou em São Paulo, passou por diferentes cidades e volta à capital paulista para seu encerramento.

A Cappella Musicale Pontificia “Sistina” tem suas origens no século VI, uma época em que a Europa ainda não tinha orquestras, óperas nem conservatórios. Foi em 1471 que o coro ganhou projeção e maior importância, quando o Papa Sisto IV reorganizou e ampliou a instituição, que desde então carrega seu nome. Ao longo da história, passaram pelo Coro alguns dos mais importantes compositores da música clássica, como Guillaume Dufay (c. 1397–1474), Josquin des Prez (c. 1450–1521), Giovanni Pierluigi da Palestrina (c. 1525–1594), Cristóbal de Morales (c. 1500–1553), Luca Marenzio (c. 1553–1599), Costanzo Festa (c. 1485–1545), Jacob Arcadelt (c. 1505–1568) e Gregorio Allegri (1582–1652).

Vários destes músicos compuseram obras exclusivamente para o Coro da Capela Sistina, aproveitando a acústica única do local, tornando-se referência técnica e estética da polifonia coral para toda a Europa. Quando os compositores passaram a escrever para conjuntos vocais em qualquer parte do mundo, tinham em mente o modelo da Sistina.

Coro da Capela Sistina em apresentação para o Papa Leão XIV

O Miserere de Gregório Allegri é uma obra composta especificamente para a Cappella Sistina, por volta de 1638 para um cantor do próprio coro. A peça foi escrita para ser executada naquele espaço, por aquelas vozes, com uma técnica de ornamentação que os cantores da Cappella desenvolveram ao longo de gerações e que não estava registrada em partitura: era transmitida oralmente, de cantor para cantor, como um segredo de ofício. Essa dimensão intransmissível torna o Miserere um caso único na história da música de uma tradição de interpretação viva, preservada dentro do coro.

Em 1770, o jovem Wolfgang Amadeus Mozart, então com 14 anos, assistiu a uma execução na Semana Santa e realizou uma transcrição da obra — episódio registrado em carta por seu pai Leopold e que, menos de três meses depois, levou o Papa Clemente XIV a receber Mozart e lhe conceder a Ordem da Espora de Ouro, uma das mais altas distinções pontifícias. A transcrição foi publicada no ano seguinte em Londres pelo historiador Dr. Charles Burney, encerrando definitivamente o monopólio da obra. O Miserere é hoje uma das peças corais mais gravadas e executadas do mundo.

Para esta curta turnê brasileira, vieram 24 cantores adultos e cerca de 30 Pueri Cantores — os meninos cantores que constituem a seção das chamadas vozes brancas do conjunto – caracterizadas pela sonoridade pura, precedente à puberdade. “O programa preparado para as apresentações brasileiras abrange quinze séculos de repertório coral, do canto gregoriano à música do século XX, incluindo uma obra de um compositor brasileiro”, afirma Monsenhor Marcos Pavan, maestro e diretor musical atual do grupo.

Os concertos incluirão, entre outras obras, peças como o antífona gregoriana Factus est repente; obras de Palestrina (incluindo o Credo da célebre Missa Papae Marcelli) e Tomás Luis de Victoria — dois dos maiores polifonistas do Renascimento e ex-membros do próprio coro; peças de Lorenzo Perosi e Domenico Bartolucci — ambos ex-maestros diretores da Cappella Sistina e o Choral varié sur le thème du ‘Veni Creator’ de Maurice Duruflé para órgão solo.

Coro da Capela SistinaUltima apresentação no Brasil
Terça, 14 de julho de 2026, das 20h30 às 22h30
Sala São Paulo
Idade: livre para todas as idades
Entrada gratuita, 1388 lugares.
Apresentação com acessibilidade física, tradução simultânea em LIBRAS e Audiodescrição. Além de disponibilização de abafadores de ruído para pessoas com necessidades especiais.
*ingressos esgotados – consulte a Sala São Paulo sobre lugares remanecentes

Uma turnê histórica pelo Brasil — entradas 100% gratuitas – A vinda da CAPPELLA MUSICALE PONTIFICIA “SISTINA” ao Brasil é realizada com patrocínio via Lei Rouanet do Grupo Mix, Itaú, Mobifácil , Iguatemi S.A. e Empório do Bem. Conta com apoio da Catedra da Sé de São Paulo, Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, UBRAJUC e UJUCASP. Realização. Estúdio Centro, São Paulo Schola Cantorum, Museu de Arte Sacra de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura do Governo Federal.