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Vestibular da USP vai ser baseado em interpretação, integração entre disciplinas e diferentes formas de produção textual
A Fuvest 2027 chega com mudanças que interferem diretamente na preparação dos estudantes que disputam uma vaga na principal universidade do país, a USP. A primeira fase, marcada para 1º de novembro de 2026, passa de 90 para 80 questões de múltipla escolha, mantendo as cinco horas de duração. Ao mesmo tempo, o vestibular amplia a presença de perguntas interdisciplinares, que exigem do candidato capacidade de interpretar informações e estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento.
A redução de dez questões não significa, portanto, que a prova está mais simples. O candidato dispõe de mais tempo médio para analisar cada enunciado, justamente porque o modelo agora valoriza o raciocínio, interpretação e conexão de conteúdos. Uma pergunta sobre mudanças climáticas, por exemplo, pode reunir conhecimentos de Geografia, Biologia e Química e ainda apresentar gráficos ou textos que precisam ser compreendidos antes de o estudante chegar à resposta.
Dentro das escolas, a mudança abre espaço para revisões mais integradas, exercícios que aproximem disciplinas e simulados adaptados. O objetivo não é abandonar o estudo específico de Matemática, Português, História, Física ou das demais matérias, mas criar oportunidades para que os jovens aprendam a transitar entre elas. Análises de notícias, gráficos, mapas, textos científicos e situações do cotidiano podem fazer parte desse treinamento.
“A preparação precisa acompanhar a forma como o conhecimento passa a ser cobrado. Não basta o estudante memorizar um conteúdo e saber repeti-lo, ele precisa compreender o que aprendeu e reconhecer como aquela informação pode aparecer relacionada a outros assuntos”, explica Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista de Educação na região do Vale do Paraíba, em São Paulo.
Os simulados também ganham outra função. Além de medir acertos e erros, ajudam a observar quanto tempo o estudante dedica à leitura, quais enunciados provocam mais dificuldade e em que momento a concentração começa a cair. “Quando o aluno conhece o formato da prova e entende o próprio ritmo, consegue tomar decisões melhores durante o exame. Esse preparo reduz a ansiedade provocada pelo desconhecido e permite que ele direcione a atenção para a resolução das questões”, explica Margarete Quiroga, coordenadora de projetos sócio emocionais nas escolas Adventistas do Vale do Paraíba.
A produção textual merece atenção semelhante. A Fuvest prevê a possibilidade de gêneros diferentes da dissertação tradicional, o que amplia a necessidade de trabalhar a escrita ao longo do Ensino Médio. Em vez de memorizar uma estrutura pronta, o estudante precisa identificar o que a proposta solicita, para quem aquele texto é dirigido e qual linguagem deve utilizar. O treinamento pode envolver argumentação, narrativa e outras construções que desenvolvam repertório e capacidade de adaptação.
Para quem pretende prestar a Fuvest em 2026, a preparação pode combinar revisão dos conteúdos, simulados no novo formato, exercícios interdisciplinares e prática constante de leitura e escrita. Para as escolas, a mudança reforça um trabalho que não se limita às semanas anteriores ao vestibular. “Quanto mais cedo o aluno aprende a interpretar, relacionar informações e aplicar o conhecimento em situações diferentes, mais preparado chega não apenas à prova da USP, mas aos demais processos seletivos e às exigências da vida acadêmica”, complementa Marizane.
